quarta-feira, março 04, 2020

PARABÉNS A NÓS!
TOTÓS
#15anos

(teste - ver se isto ainda mexe)

quarta-feira, maio 26, 2010

E porque este é um tema essencial...

Não que eu gostasse que a ética desse dinheiro a alguém (para isso existem as margens e os fees). O que eu gostava era que isso não fosse um problema.ão conhecendo eu outra forma de o dizer que não seja assim, de chofre, tenho para mim que o grande problema da ética na publicidade é que, infelizmente para a ética, ela não dá dinheiro a ninguém. O que, pedindo desculpa por mais uma vez não encontrar outra forma de o dizer, é uma grande merda.

Isso e, de cada vez que consigo chegar a casa a horas decentes para jantar com a família e ver cinco minutos de televisão, não passar o tempo todo a achar que a quantidade de ideias, anúncios e campanhas copiadas de um outro lado qualquer que por cá se vão fazendo chegavam e sobravam para fazer corar de vergonha uma estrela de cinema porno*.

Reparem que, no fundo, no fundo, não se trata de uma preocupação desinteressada da minha parte. À partida dá-me igual que copiem (e senhores, se copiam). O problema é que me estragam a clientela, que começa a achar que criar consiste em abrir uma revista (ou um site, ou ligar a televisão num canal inglês ou americano) e escolher uma ideia como quem escolhe acolchoados a partir de um catálogo distribuído pelo correio. (não façam essa cara; já me aconteceu)

Porque para isso, em rigor, ninguém precisa de mim. E para que não fiquem a rir-se, para isso - com igual rigor - ninguém precisa de vocês tão-pouco.

Não me levem a mal (ou levem, se fizerem muita questão; pensando bem, também aqui me dá igual). Sei bem que esta questão da ética no acto da criação não é de todo pacífica e linear: a fronteira entre aquilo que é uma referência e aquilo que é apropriação de uma ideia é ténue, e ao limite tudo se resume ao critério de cada um. Mas como em tudo na vida, é preciso evoluir. Quero com isto dizer que é normal que, no princípio da vida de um criativo (a sua vida profissional, bem entendido), se façam mais coisas parecidas com outras, acreditando que não faz mal, que é mesmo assim que se cria e que estamos a usar as ideias dos outros apenas como referência. O que já não é normal é não haver alguém acima desse criativo (assim tipo, sei lá… ah, já sei, um director criativo) com critério para lhe explicar por A mais B por que razão não podemos nem devemos fazer as coisas assim, que é errado, que é cópia, que é feio, que é uma ideia de outra pessoa, agência, cliente e que não se podem usar assim as ideias dos outros (a propriedade intelectual tem que ser um direito fundamental e inquestionável se queremos viver e trabalhar todos juntos, senhoras e senhores).

“Mas se um cliente pedir eu digo o quê?” estarão por esta altura a perguntar os mais orientados a resultados a ver se eu não noto a pintarola com que estão a tentar sacudir a água do capote (nós, os publicitários, somos regra geral exímios a sacudir a água do capote, da camisola, das calças…).

A quem começaria por responder, de forma tão óbvia quanto curta “Não”. E a quem diria, logo de seguida, “mas essa, como já perceberam (e se há coisa que nós não somos é parvos), não é de todo a questão”.

Porque a questão, para quem ainda não tiver percebido, continua a ser a falta de vergonha (ou de critério - que difere na intencionalidade, mas não no mal que nos faz a todos) com que se cria (ou recria, mais concretamente) em Portugal. E como a ética no acto da criação não é uma coisa regulável, delimitável ou regularizável (como o é noutras áreas), a única coisa que, em boa verdade, se pode fazer é falar (ou escrever) sobre o assunto e pôr cada um de nós a pensar, nem que seja por um instante, sobre a coisa.

A pergunta pois que, em jeito de conclusão - e já que se deu ao trabalho de ler até aqui -, gostaria de lhe colocar é a seguinte: em que é que está a pensar neste preciso momento?

Por Tiago Viegas

Director criativo da brandia central



original: http://www.marketeer.pt/2010/05/21/da-etica/

sexta-feira, outubro 23, 2009

quarta-feira, outubro 21, 2009

segunda-feira, setembro 14, 2009

Men and women think differently

Let’s say a guy named Roger is attracted to a woman named Elaine. He asks her out to a movie: she accepts: they have a pretty good time. A few nights later he asks her out to dinner, and again, they enjoy themselves. They continue to see each other regularly, and after a while neither one of them is seeing anybody else.

And then, one evening when they’re driving home, a thought occurs to Elaine, and, without really thinking, she says it aloud: “Do you realize that, as of tonight, we’ve been seeing each other for exactly six months?” And then there is silence in the car.

To Elaine, it seems like a very loud silence. She thinks to herself:
Geez, I wonder if it bothers him that I said that. Maybe he’s been feeling confined by our relationship; maybe he thinks I’m trying to push him into some kind of obligation that he doesn’t want or isn’t sure of.

And Roger is thinking; Gosh, six months.



And Elaine is thinking: but hey, I’m not so sure I want this kind of relationship either. Sometimes I wish I had a little more space, so I’d have time to think about whether I really want us to keep going the way we are, moving steadily toward…. I mean, where are we going? Are we just going to keep seeing each other at this level of intimacy? Are we heading toward marriage? Toward children? Toward a lifetime together? Am I ready for that level of commitment? Do I really even know this person?

And Roger is thinking; So, that means it was….let’s see.. February when we started going out, which was right after I had the car at the dealer’s, which means.. let me check the odometer..Whoa! I am way overdue for an oil change here.

And Elaine is thinking: He’s upset. I can see it on his face. Maybe I’m reading this completely wrong. Maybe he wants more from our relationship, more intimacy, more commitment; maybe he has sensed, even before I sensed it, that I was feeling some reservations. Yes, I bet that’s it. That’s why he’s so reluctant to say anything about his own feelings. He’s afraid of being rejected.

And Roger is thinking: And I’m going to have them look at the transmission again. I don’t care what those morons say, it’s still not shifting right. And they better not try to blame it on the cold weather this time. What cold weather? It’s 87 degrees and this thing is shifting like a garbage truck, and I paid those incompetent thieves $600. ….

And Elaine is thinking: He’s angry. And I don’t blame him. I’d be angry too. I feel so guilty, putting him through this, but I can’t help the way I feel. I’m just not sure.

And Roger is thinking: They’ll probably say it’s only a 90-day warranty..scumballs.

And Elaine is thinking: Maybe I’m just too idealistic, waiting for a knight to come riding up on his white horse, when I’m sitting right next to a perfectly good person, a person I enjoy being with, a person I truly do care about, a person who seems to truly care about me. A person who is in pain because of my self-centered, schoolgirl romantic fantasy.

And Roger is thinking: Warranty? They want a warranty? I’ll give them a warranty. I’ll take their warranty and stick it right up their……



“Roger,” Elaine says aloud.

What? says Roger, startled.

Please don’t torture yourself like this, she says, here eyes beginning to brim with tears, “Maybe I should never have…Oh God, I feel so.. (she breaks down, sobbing.)

“What?” says Roger.

“I’m such a fool,” Elaine sobs. “I mean, I know there’s no knight. I really know that. It’s silly. There’s no knight, and there’s no horse.”

“There’s no horse?” says Roger.

“You think I’m a fool, don’t you?” Elaine says.

“No!” says Roger, glad to finally know the correct answer.

“It’s just that.. it’s that I.. I need some time,” Elaine says.

There is a 15-second pause while Roger, thinking as fast as he can, tries to come up with a safe response. Finally he comes up with one that he thinks might work.

“YES” HE SAYS.

Elaine, deeply moved, touches his hand. “Oh Roger, do you really feel that way?” she says.

“What way?” says Roger.

“That way about time,” says Elaine.

“Oh”, says Roger. “Yes.”

Elaine turns to face him and gazes deeply into his eyes, causing him to become very nervous about what she might say next, especially if it involves a horse. At last she speaks.

“Thank you Roger,” she says.

“Thank you” says Roger.

Then he takes her home, and she lies on her bed, a conflicted, tortured soul, and weeps until dawn.

When Roger gets back to his place, he opens a bag of Doritos, turn on the TV, and immediately becomes deeply involved in a rerun of a tennis match between two Czechoslovakians he never heard of. A tiny voice in the far recesses of his mind tells him something major was going on back there in the car, but he is pretty sure there is no way he would ever understand that, and so, he figures it’s better if he doesn’t think about it.

The next day Elaine will call her closest friend, or perhaps two of them, and they will talk about this situation for six straight hours. In painstaking detail, they will analyze everything she said and everything he said, going over it time and time again, exploring every word, expression, and gesture for nuances of meaning, considering every possible ramification. They will continue to discuss this subject, off and on, for weeks, maybe months, never reaching any definite conclusions, but never getting bored with it either.

Meanwhile, Roger, while playing racquetball one day with a mutual friend of his and Elaine’s will pause just before serving, frown, and say, “Norm, did Elaine ever own a horse?”

And that’s the difference between men and women.

quarta-feira, agosto 05, 2009

textos simulados

http://www.blindtextgenerator.com/


so faltava ter texto em português.... :)

quinta-feira, julho 30, 2009

Vivemos num mundo sujo

Paulo Nozolino . bone lonely

Desde 2001 que o fotógrafo Paulo Nozolino não expunha individualmente em Lisboa.
Regressa à Galeria Quadrado Azul com fotografias de série única. Até 7 de Março.

http://ipsilon.publico.pt/artes/entrevista.aspx?id=220494

segunda-feira, julho 27, 2009

sexta-feira, julho 24, 2009

quarta-feira, julho 22, 2009

fight for kisses...


isto é um pouco parvo? ou é so impressão minha?

segunda-feira, julho 20, 2009

10 Work Principles By Frank Chimero

10 Principles That Might Make Your Work Better or May Make It Worse

1. Be honest.
Be honest to your audience. An open path of communication is built upon trust. This idea is relevant to every other form of communication, and I think it applies to visual communication. Honesty isn’t just about audience. Be honest to yourself as well. Do the things you’re passionate about. Avoid the things that you hate, if you can.

2. Consistent voice is more important than consistent style.
Voice is about what you say. It’s content. Style is about what you’re wearing. It’s aesthetics. The prior informs the latter, not the other way around. Clothes don’t make the man. They don’t make your work either.

3. Does it have heart?
If it does, make it. If it doesn’t, why spend the time on something that doesn’t have spirit?

4. Have modest expectations.
Spend a lot of time choosing that one thing that a piece of design or an illustration should try to do. Then, work your ass off trying to figure out the absolute best way to do that one thing.

5. Don’t be scared of your tools.
Use them, don’t fear them. For instance, while sketching, I recommend using cheap paper. If the paper’s cheap, you won’t feel bad documenting your bad ideas. Getting the first, awful ideas out of the way is crucial: very rarely does any one hit it out of the park on the first try. If I had a sketchbook filled with nice, expensive paper, I’d feel obligated to make the first idea I sketched brilliant. That pressure would paralyze me. Tools should be enablers, not disablers. If something is more intrusive or intimidating than it is useful, get rid of it. It’s not a tool, it’s a toy. Or worse, a creative boogie man that you’re inviting through your front door.

6. Embrace the subconscious.
In the studio, I have a sofa for naps with a couple pillows. The pillow is kind of comfortable, but mostly not. Just soft enough to relax you. But, just stiff enough to keep you from falling fully asleep. Right before you fall fully asleep, your brain is making all sorts of connections between all of the unrelated thoughts in your brain. There’s no filter from your conscious mind saying “This makes sense. This other idea doesn’t.” Without that filter, you can consider more possibilities. So, grab something to write with, fill your head to the brim with research and what you already know. Then, take an almost-nap and get ready to document the ideas that find you.

7. Edit.
Delete unimportant things. Even if you love them. If it isn’t spectacular, it gets cut. Kill your darlings. Be a cold-blooded killer. Ruthless. Delete. Refine. Improve.

8. Being too comfortable is dangerous.
Most creatures die in their sleep. Keep moving, or get eaten. The only things you should be absolutely comfortable with in your creative process are your tools.

9. There is nothing keeping you from doing the sort of work that you wish.
What do you want? It’s a hard, yet crucial question. We all do creative work to get happy. It’s why we let it beat us up, and it’s why we keep crawling back to it. Figure out precisely what you want, and realize that if no one will pay you to make it, you can still make it for yourself. And you still win, because you’re happy.

10. Execute.
An idea on the page is worth 100x more than an idea in the mind. You can only judge and be judged by work that’s executed. Eventually, we all realize that most of the ideas that look great in our mind look dumb once they’re real. But, at least you now know.

Brooklyn Fare's - one typeface, four colors

Brooklyn Fare from Mr. Mucca on Vimeo.

sexta-feira, julho 17, 2009

quinta-feira, julho 16, 2009

é o país que temos...

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!



Miguel Sousa Tavares

sexta-feira, julho 03, 2009

Curiosidade 4, 5, 6, 7, 8, 9

Curiosidade

Dia 7 de Agosto de 2009
Aos 5 minutos e 6 segundos das 4 da manhã do dia 7 de Agosto deste ano de 2009, a hora e data serão:

04:05:06 07/08/09

Esta sequência não voltará a acontecer.


ps: Cá pra mim isto vai ser (outra vez) o fim do mundo! É que so pode...
E ainda ninguem fez um filme sobre isto. Esta malta deve andar a dormir.

terça-feira, junho 30, 2009

Anúncio no "Correio da Manhã"


PRETA E SOLTEIRA :
Procuro companheiro macho, a origem étnica não é importante. Sou muito boa fêmea e adoro BRINCADEIRAS.

Gosto muito de passeios nas matas gosto de andar de jeep, de viagens para caçar, acampar e pescar, de noites de inverno aconchegadas junto à lareira. Jantares à luz de velas fazem que vá comer-lhe à mão. Quando voltar a casa do trabalho esperá-lo-ei à porta, vestindo apenas o que a natureza me deu. Telefone para 218756420 e pergunte pela Micas. Aguardo notícias suas...



RESULTADO DO ANÚNCIO:
Mais de 15.000 homens deram por si a telefonar para a Sociedade Protectora dos Animais - Secção de Caninos....

Heat